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Carta ao "Instituto Galego de Promoción Económica" (IGAPE) por uma recente notícia na que fala de uma página desse organismo onde se anima a gente estrangeira a fazer investimentos, entre outras virtudes porque na Galiza "coexistem pacificamente" galego e castelhano e, para além disso, o galego parece-se muito com o português, pelo que abre as portas a um mercado grandíssimo.
Como Porta-Voz do Movimento Defesa da Língua, organização de defesa da língua e cultura galegas dirijo-me a vocês com uma dupla mensagem, pretendendo realizar uma queixa ao tempo que parabenizar à sua instituição por uma decisão arrojada que certamente nos favorece àqueles que defendemos a língua dum ponto de vista de cultura. Assim, como Porta-Voz dum colectivo que defende a língua do País entendendo-a como variante da portuguesa, não posso deixar de parabenizar o IGAPE pela decisão em firme de publicitar a nossa Terra como um lugar onde (traduzindo vocês) a "semelhança de galego e português possibilita os galegos para comunicarmos com os quase 200 milhões de falantes da Lusofonia", notícia da que o portal Vieiros dá conta a 15 de Janeiro. Daí a necessidade de emitir este texto de felicitação. Mais uma vez fica demonstrada, e agora por uma entidade que nada tem a ver connosco, que a língua galega é útil e tem futuro encontrando novamente com a variante portuguesa. Esperamos então que essa boa disposição para o achegamento real do galego para o português comece a ser efectiva também na administração, e ainda que as insituições possibilitem começar um caminho de normalidade para o português na Galiza. Ficamos então contentes com a declaração realizada, mas gostaríamos que essa mesma declaração começasse desde já a ser efectiva para conseguirmos que o português goze duma legalidade até agora negada. Doutro lado, como organização que defende a cultura deste País, não posso mais que mostrar a minha desaprovação da imagem que os senhores estão a vender desta Terra, da nossa Identidade e do conflicto linguístico que sofremos, que põe em perigo a nossa sobrevivência como pessoas galegas. Ainda, é significativo o facto de parecer incrível por essa mesma razão, e apesar de colocar as possibilidades que a nossa língua oferece como variante da portuguesa, que não ofereçam a sua página em português. E ainda o que é mais grave do vosso ponto de vista e legalidade, que não ofereçam a página de promoção dos investimentos empresariais nem em galego oficial nem português. Significa então que não consideram a possibilidade da existência de investimentos galegos ou portugueses na Galiza? Não é missão do MDL julgar nem criticar política económica alguma, nem tomar posição política por ninguém, mas não deixa de preocupar, da nossa óptica, que a idéia que transmite a vossa página parece negar a possibilidade de galegos ou portugueses investirem no País, e ainda se intui uma certa sensação de povo manso e trabalhadores facilmente submetíveis a condições inferiores às doutros europeus. Como defensores da cultura e da língua, estamos contentes ao confirmarmos que os nossos argumentos se mostram como válidos, mas fica em questão a capacidade que os senhores consideram que possuímos para nos desenvolver por nós próprios, até culturalmente. Seja como for, parece-nos um dado de grande interesse que os senhores participem da idéia duma língua comum, e ficamos então à disposição para desenvolvermos trabalhos de promoção cultural ou de difusão do galego ou português na Galiza. Cumprimentos do Luís Fontenla Figueroa Porta-Voz do Movimento Defesa da Língua |