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Apresentação do Suso Sanmartim na abertura do Fórum da Língua
[Com peruca e óculos escuros] "Perdoade que me apresente assim mas, como estamos no Entrudo..." Pido perdão também polo meu galego (português ou galego-português) embora não seja eu o único culpável da minha incompetência lingüística e esta tenha muito a ver com a minha condição de galego. Perdoade também se digo algum pecado. Por favor, não me crucifiquedes por isso. Embora a organização do "Fórum da Língua" tenha pensado em mim para falar neste acto de abertura porque, entre outros muitos méritos que viram em mim (e que eu não acabo de ver tão claros) tenho o de ser sócio do MDL, vou falar a título pessoal e não no seu nome. Confio na vossa indulgência e espero não ter de pagar com a cruz a ousadia de ter aceitado o amável convite (que sincera e publicamente agradeço) do pessoal do MDL. Fago trinta e três (33) anos em dous mil e quatro (2004) e falta pouco mais de um mês para a Semana Santa, porém não tenho vocação de mártir e não gostaria de acabar crucificado como lhe aconteceu ao meu xará Jesús Cristo e também ao seu contemporâneo e vizinho (portal com portal) Brian de Nazaré. "É como n´A Vida de Brian!". Quantas vezes não teremos dito e ouvido esta frase! E é que, muitas vezes, a tragicômica realidade do luso-reintegracionismo (e outros movimentos minoritários como o nosso) supera a ficção do clássico dos Monty Python. "A Vida de Brian" é como a vida mesma! E falando nos clássicos qualquer ocasião é boa também para citar a denominada "Bíblia" do galeguismo. Ainda que, para sermos mais exactos, haveria que chamar-lhe "Antigo Testamento" porque Castelao (profeta n´A Nossa Terra) morreu deixando escritos apenas sete capítulos do Segundo Tomo (que viria sendo o "Novo Testamento" galeguista) do Sempre em Galiza. Da afirmação de que "Estamos fartos de saber que o povo galego fala um idioma de seu, filho do latim, irmão do castelhano e pai do português" (Sempre em Galiza. Livro I, Capítulo IV) provavelmente o único em que todas e todos os aqui presentes concordaremos com Castelao é em que o nosso idioma é filho do latim. E se a língua em que hoje falamos é filha do latim e não irmã do bretão, o galês ou o gaélico...* * e aqui quero fazer um inciso e dizer que coincido totalmente com a opinião recentemente exprimida na sua coluna d´A Nossa Terra polo meu xará Suso de Toro (não de Nazaré desta volta) em que "enquanto cidadãos cultos e livres há que ser celtistas e reintegracionistas". ... [se a língua em que hoje falamos é filha do latim], dizia, é porque (como reconhecia o camarada Rogers, da Frente Popular da Judéia, n´A Vida de Brian) em matéria de impérios o romano era o número um. Sabiam como se impor. Mas, embora reconheçamos a supremacia do Império Romano não devemos menosprezar o que na nossa história o veu suceder, o Império Espanhol, dizendo como Castelao que são "uns imperialistas fracassados". Não convém rir muito nem muito alto (não esqueçamos que Castelao também era humorista) porque quem ri último é ri melhor e o processo de Normalização Lingüística da língua do Império, por rasca que ele seja, na Galiza avança imparável. E se, como Castelao também di no citado trecho do Sempre em Galiza, galego e castelhano são irmãos, então são como Caim e Abel. (E não fai falta dizer qual dos dous é o fratricida). Mas o fratricídio e o cainismo não se dão apenas entre idiomas irmãos. Isso acontece nas melhores famílias, em famílias como a nossa. Com efeito, enquanto a nova Romanização Lingüística avança as/os filhas/os de Breogam envolvemo-nos em luitas fratricidas, em guerras civís (que, como todo o mundo sabe, são as piores porque são entre irmãos) e tudo porque se há alguém que odiemos mais que aos próprios romanos essa é a Mesa pola Normalización Lingüística (dissidentes), e mais a Asociación Sócio-Pedagóxica Galega (dissidentes!), e mais a Associaçom Galega da Língua (dissidentes!), e mais a Associação de Amizade Galiza-Portugal (dissidentes!), e mais as Irmandades da Fala de Galiza e Portugal (dissidentes!), e mais o Movimento Defesa da Língua (dissidentes!) Ah, não, o MDL somos nós! (Foi um "lapsus linguae"). Divide e vencerás. Um clássico, mais um. Não sei se este "Fórum da Língua" servirá para que (como desejam as maravilhosas pessoas que nos convocaram aqui hoje) encontremos o nosso "mínimo comum múltiplo"; ou se, polo contrário e como n´A Vida de Brian, prevalecerá o "máximo comum divisor". Mas sejamos optimistas. Sejamos ludo-reintegracionistas. E para começarmos com bom pé nada melhor que começar polo final. Portanto, como na última cena do filme "A Vida de Brian", olhem os o lado bom da vida e (fazendo por uma vez algo tod*s junt*s) cantemos:
"Always look on the bright side of life! (assobio) Always look on the bright side of life! (assobio) Always look on the bright side of life! (assobio)
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