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Valorização da equipa organizadora do I Fórum da Língua. "O reintegracionismo deve rachar com a imagem de marginalidade e setarismo e somar esforços de toda a gente comprometida com a língua"
Fórum da Língua.- Sob o lema "O mínimo comum múltiplo" decorreu hoje em Compostela o Fórum da Língua, um espaço de debate sobre a situaçom actual do reintegracionismo linguístico na Galiza e as suas estratégias de cara o futuro. Mais de um cento de pessoas participaram neste foro no que se pus de manifesto a necessidade de rachar com a imagem de marginalidade à que se costuma associar os colectivos que apostam por um galego reintegrado no espaço linguístico da Lusofonía (Portugal, Brasil, Moçambique, Angola. ..etc), para o qual houve uma coincidência geral em abrir-se a todas as pessoas comprometidas em acabarem com a situaçom de progressivo retrocesso do galego. O Fórum começou de manhã com a apresentaçom dos mais de 20 colectivos participantes, desde o mundo da cultura, da universidade, desporto, política ou estudantis. A seguir, celebrou-se umha palestra com o professor da Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago, Elias Torres; a escritora e professora de ensino secundário, Raquel Miragaia; o livreiro e editor Xavier Paz, e o empresário Jesus Sanches. Elias Torres destacou a necessidade de que o movimento reintegracionista abandone o que definiu como "tom apriorístico, messiánico e essencialista" para caminhar cara a "adesom de toda a sociedade galega, mesmo de espaços ideológicos nom afins". O prestigioso académico da USC defendeu a vigência do reintegracionismo como umha proposta global de normalizaçom da cultura galega, reinserindo-a no seu ámbito linguístico próprio: a Lusofonia. Por sua parte, Raquel Miragaia, falou sobre a necessidade de que o reintegracionismo rache cos dous prejuízos aos que se costuma associar: como um discurso de intelectuais e como vinculado a partidos políticos extremistas e, por tanto, marginais. Nesse sentido, Miragaia falou de levar o reintegracionismo "a todos os ámbitos populares", reivindicando como principal argumento as possibilidades comunicacionais que abre para os galegofalantes. "O reintegracionismo vai muito mais alá de uma norma ortográfica: é dispor de uma enorme quantidade de recursos de uma cultura tam de actualidade como a luso-brasileira, sem ter que passar-nos ao castelhano", assegurou. Criar espaços Na mesma linha, Xavier Paz, editor e proprietário da livraria Torga, em Ourense, abordou na sua ponência a necessidade de "abrir novos espaços de imersom linguística para o galego" com especial atençom ao colectivo da infância e por estender o diálogo a todas as pessoas e colectivos comprometidos com o galego, "fugindo do protagonismo de políticos e intelectuais e com uma cara amável e aberta ao diálogo". Por último, Jesus Sanches, proprietario de "Bacalhau da Loira", negou qualquer limitaçom comercial para umha empresa polo feito de empregar o galego-português, incidindo em que "somos donos das nossas empresas, nom necesitamos a permissom de ninguém". Um jornal em galego Já pola tarde, decorreram quatro mesas nas que se analisou a situaçom do galego, desde uma perspectiva reintegrada, nos ámbitos do ensino, dos colectivos sociais, novas tecnologias e meios de comunicaçom. Nesta última, ficou de manifesto a escassez de intercâmbio de informaçom entre a Galiza e Portugal, a partir de um estudo realizado pola Faculdade de Ciências da Comunicaçom da USC, e no qual se reflecte que apenas 0,7 por cento das notícias publicadas nos jornais portugueses fazem referência à Galiza, uma percentagem que nos meios do nosso país aumenta para 1 por cento. Ainda, os ponentes da mesa coincidiram na nessidade de criar um jornal em galego, "um velho projecto que a gente que se diz vinculada ao nacionalismo, e com recursos económicos, nom tem vontade de criar", segundo denunciou Ramom Gonçales, director da publicaçom Novas da Galiza. Na secçom de novas tecnologias, fez-se insistência nas enormes possibilidades que se abrem para o galego se houvesse uma aproximaçom à Lusofonia, tanto no software chamado livre (Linux), quanto no proprietário (Microsoft). "O Brasil é uma enorme potência em software livre, algo que na Galiza se ignora e que nos permitiria encher o oco das novas tecnologias que actualmente ocupa o espanhol com o galego reintegrado, é dizer, com o portugués do Brasil", assegurou José Ramóm Pichel, fundador de Imaxin Software. Ramom Flores, professor de Informática da USC, incidiu, por sua parte, na possibilidades que abre a televisom digital à recepçom na Galiza das TVs lusófonas, e nomeadamente das portuguesas. Neste sentido, sublinhou que as únicas dificuldades que existem "som de falha de vontade política das autoridades autonómicas, nom de carácter técnico ou económico", umas barreiras que se podem superar através da televisom por Internet. Ensino No tocante ao ensino, os ponentes concodaram no incumprimento geralizado da legislaçom sobre o uso do galego nas aulas, "um incumprimento que mesmo é bem visto pola maioria dos docentes e dos pais", e que se agrava no caso do galego reintegrado, que aliás de nom oficial, "deve enfrentar fortes prejuízos sociais, e nom precisamente por parte dos alunos". Neste sentido, os participantes advogaram por romper as barreiras mentais que pesam acerca do galego reintegrado "já que é um instrumento de comunicaçom que nos permite fazer do galego uma língua extensa e útil, comunicar-nos com mais de 200 millões de pessoas e aceder uns ingentes recursos científicos e culturais". Por último, a mesa de locais sociais, ressaltou a excelente funçom que cumprem estes centros como elementos de imersom lingüística de moços e moças nom galegofalantes, mediante a realizaçom de actividades culturais e desportivas. O Fórum da Língua finalizou com a intençom de celebrá-lo de novo o vindouro ano com um movimento reintegracionista mais unido e fortalecido para conseguir o objectivo comum de fazer do galego uma lingua de uso normal, sem complexos no seu próprio país. Conslusões do Fórum da Língua: AGAL PADRÃO |