Apresentação:
Foi pelo menos no aspecto das reivindicações linguísticas que a nossa voz foi ouvida em Londres num encontro europeu em que se atendeu à problemática da Galiza com respeito à defesa da sua língua e cultura e as alternativas apresentadas pelo movimento de defesa da nossa língua culta.
Em representação da
AAG-P (Associação de Amizade Galiza-Portugal), a
AGAL (Associaçom Galega da Língua) e o MDL (Movimento Defesa da Língua) leu-se uma ponência que expressa a reivindicação galega do reconhecimento dos nossos direitos linguísticos e a possibilidade de usarmos a nossa língua em qualquer relação com a administração europeia.
Além disso houve também representação galega na manifestação sob a legenda "Todas as línguas, oficiais numa europa livre" e a sinatura dum manifesto europeu em defesa dos direitos linguísticos assinado por colectivos bascos, galegos, catalães e curdos.
PONÊNCIA GALEGA PARA O FORO SOCIAL EUROPEU DE LONDRES Na Comunidade Autónoma da Galiza, no Estado Espanhol, existe actualmente uma situação de violação dos direitos linguísticos. Isso era assim certamente sob a ditadura do Generalíssimo Franco, mas ainda continua sob a actual monarquia constitucional, que finge reconhecer o direito dos cidadãos a empregar a sua língua "própria" mas na prática utiliza uma série de estratégias para lho negar.
Uma destas estratégias foi levada a efeito em 1982 por meio dum Decreto (ou seja não uma legislação à que se chegara democraticamente) que impõe o emprego oficial na administração e o ensino duma norma "galega" deliberadamente ligada ao espanhol na ortografia e a morfologia, e arredada do português, que é a forma moderna internacional da nossa língua. Tratava-se de criar um novo "idioma" totalmente independente do português (de facto uma espécie de crioulo ou mesmo "pidgin") que ficaria submetido ao espanhol e confinado dentro das fronteiras do Estado Espanhol. Mas ainda aqueles que intentam empregar este "crioulo galego" na vida pública topam-se com que os seus direitos linguísticos são mínimos ou totalmente ignorados pelos administradores do Estado: o "crioulo" é utilizado para fins não essenciais ou frívolos, reservando-se o idioma espanhol para algo "sério". De facto, os funcionarios não estão constitucionalmente obrigados a falar "galego".
Naturalmente muitos de nós rejeitamos e denunciamos esta burla, e insistimos no uso devido do português galego, a todos os níveis da sociedade. O português já é de facto ensinado nas escolas de idiomas e por grupos ativos que o promovem, mas sem apoio oficial e com a inimizade da Administração (os ensinantes correm o risco de perder os seus trabalhos se optam pelo português galego nas suas aulas, sendo alcunhados de "lusistas").
Contra isto, nós propomos um sistema educativo que seja independente do "oficial", o livre movimento de informação e pessoas através da fronteira com o norte de Portugal (com acesso aos meios informativos e os produtos portugueses) e o reconhrcimento legal do noso direito ao emprego normal da língua portuguesa a todos os níveis na Galiza.
Londres, 15 de Outubro de 2004
(Assinado:)
Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL), Movimento de Defesa da Língua (MDL)
ENGLISH TRANSLATION In the Autonomous Community of Galiza, within the Spanish State, there is at present a situation of violation of linguistic rights. This was certainly so under Generalissimo Franco`s dictatorship, but it still goes on under the present constitutional monarchy, which pays lip service to the right of citizens to use their "own" language but in practice uses a number of strategies to deny it. One of these strategies was put in place in 1982 by means of a Decree (i.e. not a piece of legislation arrived at democratically) which imposes the official use in administration and education of a standard "Galician" deliberately linked to Spanish in spelling and morphology, and cut off from Portuguese, which is the modern international form of our language. The idea was to create a new "language" totally independent from Portuguese (in fact a sort of creole or pidgin) which would remain subservient to Spanish and be confined within the borders of the Spanish State. But even those who attempt to use this "Galician" pidgin in public life find that their linguistic rights are minimal or entirely ignored by the dministrators of the State: the pidgin is used for non-essential or frivolous purposes, reserving the Spanish language for anything "serious". In fact, civil servants are under no constitutional obligation to speak "Galician". Naturally many of us reject and denounce this travesty, and insist on the proper use of Galician Portuguese, at all levels of society. Portuguese is in fact already being taught in language schools and by active groups promoting it, but without official support and with the enmity of the Administration (teachers risk losing their jobs if they opt for Galician Portuguese in their classes, being branded "lusistas"). Against this, we aim at an educational system which is independent of the "official" one, the free flow of information and persons across the border with Northern Portugal (with access to Portuguese media and products) and the legal recognition of our right to the normal use of the Portuguese language at all levels in Galiza." London, October 15, 2004 (Signed:) Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL), Movimento de Defesa da Língua (MDL). TRADUCCIÓN ESPAÑOLA "En la Comunidad Autónoma de Galiza, en el Estado Español, existe actualmente una situación de violación de los derechos lingüísticos. Ello era así ciertamente bajo la dictadura del Generalísimo Franco, pero aún continúa bajo la actual monarquía constitucional, que aparenta reconocer el derecho de los ciudadanos a emplear su lengua "propia" pero en la práctica utiliza una serie de estrategias para negárselo. Una de estas estrategias fue puesta en práctica en 1982 por medio de un Decreto (o sea no una legislación a la que se llegara democráticamente) que impone el empleo oficial en la administración y la enseñanza de una norma "gallega" deliberadamente vinculada al español en la ortografía y la morfología, y separada del portugués, que es la forma moderna internacional de nuestra lengua. Se trataba de crear un nuevo "idioma" totalmente independiente del portugués (de hecho una especie de criollo o incluso "pidgin") que permanecería supeditado al español y confinado dentro de las fronteras del Estado Español. Pero incluso aquellos que intentan emplear este "criollo gallego" en la vida pública se encuentran con que sus derechos lingüísticos son mínimos o totalmente ignorados por los administradores del Estado: el "criollo" es utilizado para fines no esenciales o frívolos, reservándose el idioma español para algo "serio". De hecho, los funcionarios no están constitucionalmente obligados a hablar "gallego". Naturalmente muchos de nosotros rechazamos y denunciamos esta burla, e insistimos en el debido uso del portugués gallego, a todos los niveles de la sociedad. El portugués ya es de hecho enseñado en escuelas de idiomas y por grupos activos que lo promocionan, pero sin apoyo oficial y con la enemistad de la Administración (los enseñantes corren el riesgo de perder sus trabajos si optan por el portugués gallego en sus clases, siendo motejados de "lusistas"). Contra esto, nos proponemos un sistema educativo que sea independiente del "oficial", el libre flujo de información y personas a través de la frontera con el norte de Portugal (con acceso a los medios informativos y los productos portugueses) y el reconocimiento legal de nuestro derecho al empleo normal de la lengua portuguesa a todos los niveles en Galiza." Londres, 15 de Octubre de 2004 (Firmado:) Associação de Amizade Galiza-Portugal (AAG-P), Associaçom Galega da Língua (AGAL), Movimento de Defesa da Língua (MDL)